sábado, abril 09, 2005

O brechó do som

Prólogo

Uma das coisas que eu detesto é barzinho iluminado pra caralho. Pra mim bar tem que ser um ambiente no máximo à meia-luz, e de preferência com uma bandinha tocando um rock and roll e uma(s) cerveja na mesa. Quando eu era garoto eu ia muito no Sem Destino, em Bangu, era legal, embora muito apertado, mas não era exatamente um bar maneiro mesmo (e pra piorar fechou e reabriu um monte de vezes em lugares diferentes).
Lá em Bangu mesmo, durante pouco tempo, existiu um bar chamado Sacristia, que era num velho casarão e era muuiiito legal. A iluminação era mó breu, sempre tinha ou uma banda tocando ou um show em vídeo passando, isso sem contar o lugar que tinha um visual muito legal. Maaaaass...fechou logo. Daí que eu casei, vim morar em Big Field City, e já faz um tempão que eu tô meio "órfão" de um rock bar de verdade. Até que eu ouvi falar do Antiquário. Maaasss, de novo, pra minha sorte, quando eu resolvi ir descobri que o bar tinha fechado. Só que, pelo menos dessa vez, foi por pouco tempo. A parada foi uma sociedade desfeita, mas o sócio que ficou tá tocando o barco de novo. Óbvio que rolava uma certa "ansiedade" do lugar preencher as minhas expectativas de boteco rock a la pub inglês, então eu resolvi dar uma conferida antes. Ontem à noite eu fui fazer compras, e como o mercado era lá perto, decidi conferir se valia a pena dar um pulo lá depois ou se era propaganda enganosa.
Não era. Descobri que o lugar parecia maneiríssimo, apesar de ainda estar vazio (eram umas 10:00 da noite, e só começaria a encher lá pra 10:30 ou 11:00). Foi só uma questão de ligar pro Tatan, passar em casa pra deixar as compras, mastigar qualquer coisa, tomar um banho e partir.

O Antiquário

Porra, aquele lugar é outro planeta. Imaginem um lugar onde o chão é de pedrinhas (aquelas bem pequenas, com + ou - 1 cm de diâmetro) e as luminárias são feitas de garrafão de vinho com varetas. Nas paredes tinha uma porrada de LP's e mais algumas capas de LP's. Num canto qualquer tinha uma máquina de escrever antiquíssima, noutro canto um violão faltando uma corda, em outro um teclado velho pra caralho tb. Tinha tb uma estante com uma porrada de livros, um armário velho e um sofá (?!?!?!). Ah, quase que eu esqueço de dizer que as mesas eram de máquinas de costura. Quando a banda estava tocando eles apagavam as luzes e deixavam uma velinha acesa em cada mesa. Eu juro que eu não tava doidão, o lugar era assim mesmo. O pior é quando resolvi ir ao banheiro, perguntei onde era e o garçom falou "segue esse corredor direto, é lá embaixo depois da sinuca". Sinuca??? É, seguindo o corredor tinha um outro ambiente onde tinha a tal da sinuca. Logo depois da sinuca tinha de um lado duas redes (?!?!?) e do outro lado umas duas cadeiras e uma geladeira do tempo do onça lotada de gibis (?!?!??!?!). Isso pra não dizer que a placa indicativa dos banheiros tb era sui generis: dois LP's, um com um "H" pichado e outro com um "M" pichado (aliás, o Antiquário é simplesmente lotado de LP's nas paredes).
O que que faltava pra completar o quadro? Lógico, uma banda tocando um rock decente. Descobri que uma das 987 bandas do Christian toca lá toda sexta, o Fic Trio. Os caras levaram de Jean-Luc Ponty até Barão Vermelho, passando por Led, Clapton, Bob Marley e Police (eu sei que o Michael vai reclamar que a banda tocava covers, mas quer saber? Numa sexta à noite, tu já cansado do trabalho tu não quer prestar atenção em som novo, tu quer é curtir aquilo que tu já conhece). Quando a banda não tava tocando, tava rolando um DVD (ontem era o Santana). Pena que a sra. Tatan e o Iba não estavam lá (a sra. Tatan porque já tava dormindo qdo eu chamei o Tatan, e o Iba pq a gente resolveu ir em cima da hora e qdo ele chegasse em Big Field a gente já teria ido embora...).

Resumo da ópera: lamento profundamente pelos não-habitantes de Big Field. O Antiquário é muito foda (e até o couvert artístico não é caro, três reais por cabeça).