quinta-feira, janeiro 06, 2005

Momento deprê

Ontem eu encontrei umas caras conhecidas da época de colégio no Orkut. Perfil de um, perfil de outro, e fatalmente vc acaba se pegando nostálgico lembrando dos tempos de vagabundo. Só q a minha nostalgia é meio diferente: eu não tenho saudades de determinados momentos e situações. Eu tenho saudade do filipensses daquela época.
Explico: por mais variadas que sejam as razões e as circunstâncias, o fato é que quando a vida real bate à sua porta, fudeu. Pelas contas mais simplistas, se antes vc passava em torno de 80% do seu tempo fazendo COISAS QUE VC GOSTAVA, hj essa proporção se inverteu. Quer queiramos ou não, vc passa a maior parte do tempo fazendo o QUE VC NÃO QUER e com a cabeça pensando em quando vc vai ter tempo PRA FAZER O Q VC REALMENTE QUER. Como o dia nunca tem mais de 24 horas (exceto quando termina o horário de verão), isso gera frustração.
Eu não sei se é só comigo, mas a lembrança que eu tenho de mim quando eu tinha os meus 17 anos é a de uma pessoa com um ENTUSIASMO e uma ALEGRIA praticamente incompatíveis com as responsabilidades e problemas do mundo "aqui fora". E o mais angustiante disso é que eu fico refletindo a respeito e não consigo encontrar uma solução plausível. Por mais que eu queira manter o entusiasmo, ele sempre vai se resumir a PROGRAMAS-QUE-NÓS-AUTÔMATOS-FAZEMOS-NOS-FINS-DE-SEMANA. Porque durante a semana não rola, não dá pra fingir pra vc mesmo (pq para os outros vc sempre pode botar uma máscara de felicidade) que tá tudo bem. Não dá pra ter o mesmo entusiasmo de quando eu acordava a hora em que eu queria e fazia o que me desse na telha quando eu agora acordo bêbado de sono pra ficar sentado o dia inteiro na frente de uma máquina de fazer doidos.
O mais angustiante é a conclusão que se tira disso tudo: o que que eu posso fazer pra mudar isso? Não é nenhum luxo pagar aluguel, uma prestação de carro e um seguro pro mesmo. Se eu posso dizer que eu tenho um luxo, seriam as mensalidades da DirecTV e do Velox. Tá, às vezes (BEEEM ás vezes, tipo a cada dois anos), a gente arruma uma prestação no Ponto Frio. Doze vezes, e sem a mínima chance da prestação atingir três dígitos. Não tem jeito: tenho que TRABALHAR pra manter o meu pequeno mundinho de classe média (que de média não tem porra nenhuma, né? E mesmo que eu me privasse desses "luxos", a situação não seria tão diferente). E se eu tenho que trabalhar, não dá pra se livrar dos 80% do seu tempo que vc passa fazendo o que não quer. Que por sua vez, são incompatíveis com o tal ENTUSIASMO lá do terceiro parágrafo.
A saída? Nem faço idéia. Quem souber coloca aí nos comentários.