terça-feira, dezembro 28, 2004

Apocalypse now

Talvez o amor à espécie seja o único amor verdadeiramente básico no ser humano (e na natureza de uma forma geral). Todos os outros tipos de amor, seja conjugal, seja à família, aos amigos, etc nos são "ensinados" ao longo de nossa existência. Se amamos nossos pais e as pessoas ao nosso redor, é porque nossa convivência e relacionamento nos levou à esse tipo de sentimento.
Já o amor à espécie é diferente. Esse é inerente ao ser humano. Quando todos os outros tipos de amor se vão e não sobra mais nada, o amor à espécie permanece. Se nos fosse dado sobreviver a uma hecatombe nuclear e todos os nossos entes queridos se forem (bate na madeira aí!), ainda assim seríamos solidários com os nossos semelhantes, mesmo que - ironia do trocadilho - esses semelhantes nos sejam completos desconhecidos.
"Tá, e daí?", vocês devem estar se perguntando. E daí que eu cheguei à conclusão que o amor à espécie é justamente o que me impede de fazer piada com a maior tragédia que eu já tive notícia desde que eu nasci. Como é de praxe do brasileiro, a piada de humor negro já tava na ponta da língua ("isso aí é tudo onda!"), mas eu resolvi falar sério. Apesar da cobertura do atentado às torres gêmeas ter sido infinitamente maior por parte da mídia (ainda que os EUA tenham feito por onde, mas isso é uma outra estória), o número de mortos - que é o que realmente importa - chega a ser quase vinte vezes maior.
Eu sei que esse post ficou meio soturno, mas a idéia era falar sério mesmo. Vcs aí façam o favor de fazer um minuto de silêncio depois de ler...